1 de dez de 2014

Não exatamente sobre o livro, mas sobre o que há no entorno

    Então que eu fiz um livro.

    Pois é! Depois de tanto tempo postando tiras na internet, ir às convenções de quadrinhos e ver os autores orgulhosos de suas publicações fez uma vontadezinha começar a brotar. E quando meu amigo Liber lançou "As coisas que Cecília fez", daí sim, a determinação surgiu. Foi bacana demais ver a alegria dele, a realização pessoal de um cara que resolveu fazer a história dele e pronto, tudo isso tão próximo, tão "ali", tão palpável.
    Fixei um prazo, revi minhas tiras, selecionei, passei mais de mês refazendo tiras mais antigas que não tinham a mesma qualidade técnica, inventei tiras novas pra poder fechar cada seção com uma página inteira de tiras com o mesmo tema, tudo buscando um livro coeso, redondo, agradável de se ler. E dá-lhe Ivan Sória Fernandez me socorrendo (com a maior paciência do mundo) quando eu ligava xingando o Illustrator ou o Photoshop, me dando ânimo e suporte pra poder trazer esse livro ao mundo - ai que lindo!!
    Meu "amarelinho", como gosto de chamar, tem tirinhas 100% produzidas por Simone, com patrocínio Simone, da editora Simone. Com projeto gráfico (capa, prefácio, disposição das tiras, etc etc) do incrível Ivan Sória Fernandez, aquele que volta e meia aparece comigo nas tirinhas.
    O livro se concretizou e chegou em 5 caixas grandes de papelão. A experiência doida começou depois disso: tem que pensar na distribuição, na divulgação, nas vendas.... foi como ir pro mar aberto num barquinho pequeno, buscando uma estratégia pra remar na direção certa. 


    Lancei o livro na GIBICON Curitiba, na Itiban Comics Shop e na Livraria Curitiba. Tive a grata satisfação da presença (em peso) da minha família, dos amigos quadrinistas, dos amigos não-quadrinistas e de uma família em especial que compareceu nos três eventos... muito bom ver que o pequeno Nicolas, que não tem nem um ano de idade, já se mostra muito à vontade entre livros e HQ's!!
    Confesso que fiquei frustrada quando percebi que alguns amigos próximos não deram a mínima. Por outro lado, várias pessoas que conheci há menos tempo fizeram questão de ir a algum dos lançamentos, uma alegria e força que definitivamente não vou esquecer.
    Outro momento inesquecível foi quando a potencial compradora me disse "eu volto amanhã" e voltou de verdade ao estande, dizendo que acessou o site, gostou do conteúdo e resolveu comprar. E tem a menina novinha que, não sei o porquê, encasquetou que queria o meu livro e passou a manhã pedindo pra irmã mais velha comprar, até que ela arranjou quase o valor total do livro e me entregou aquele dinheiro todo amassadinho com um sorriso no rosto... ganhou autógrafo especial, é claro.
    Ainda tenho muito pra remar. Mas o que está sendo mais doido, pra mim, é essa parte da "exposição", que nunca me preocupou publicando apenas no site. Lançar um livro é dar a cara a tapa. Acho que quando um autor produz, ele se mostra no que faz; em algum nível, a obra é um pedaço da sua alma. Não tenho uma natureza expansiva e por vezes me pego pensando: pra onde isso vai?
    Não sei exatamente por que eu faço isso, talvez nem precise saber. Mas sei que vi pessoas folhearem o livro e darem risada; vi a moça que gargalhou com o Museu do Olho na Terra Média, o rapaz que sorriu com as tiras do Nabuco. E fico bem feliz.

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